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“Mulher e Presidente”

4 nov

 

É parafraseando a manchete da capa da edição 620 da revista “Carta Capital” que inicio esse post do Entrelinhas Jurídicas. Sei que muitos dos leitores desse Blog não devem estar satisfeitos com a eleição de Dilma Rousseff à presidência do Brasil. Mas, independentemente da minha posição política, venho aqui esclarecer o quão importante é, para as mulheres, esse acontecimento político.

Segundo matéria veiculada no “The Independent” – http://www.independent.co.uk/news/world/politics/the-15-women-taking-over-the-world-2009488.html -, são 16 as mulheres que dividem o poder ao redor do mundo [listinha básica no final do post].

Dilma será a 11ª mulher a chegar ao poder na América Latina – a 8ª a ser eleita. Além de ser a primeira presidente mulher eleita pelos brasileiros. Aliás, só a título de curiosidade, os nossos estimados vizinhos argentinos tiveram sua primeira presidenta em 1974-76: Isabel Martínez de Perón; e elegeram, em 2007, Cristina Fernandez de Kitchner. Dilma, no tocante a ser uma brasileira no poder, veio no bom tom do “antes tarde do que nunca”.

Segundo o relatório divulgado pela ONU, “As mulheres no mundo 2010”, que pode ser lido na íntegra aqui: http://unstats.un.org/unsd/demographic/products/Worldswomen/WW2010pub.htm”http://unstats.un.org/unsd/demographic/products/Worldswomen/WW2010pub.htm , se destacam progressos na escolarização, saúde e participação econômica das mulheres, mas ainda há uma profunda desigualdade de gênero na vida pública e política entre mulheres e homens – tudo verificado por estatísticas.

“Cada vez que uma mulher entra no poder, representa uma mudança. […] Mas, no Brasil, mesmo com a lei de cotas, as candidaturas das mulheres não estão sendo apoiadas pelos partidos”, afirmou Rebecca Tavares, representante no Brasil do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem – ONU Mulheres).(em: http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/11/dilma-sera-11-mulher-presidente-na-america-latina.html )

Pode ser que, mesmo com Dilma Rousseff no poder, a situação das mulheres não tenha mudanças significativas, como está acontecendo no governo de Cristina Kitchner, na Argentina. Porém, as propostas da brasileira no tocante a essa questão são desafiadoras – como assim o foi, também, no governo Lula. Independentemente de significados futuros, numa sociedade ainda patriarcal como a nossa ter duas candidatas à presidência, e uma delas ser eleita, representa um avanço gigantesco – mesmo que parte desse esforço se deva a Lula, com sua gigantesca popularidade, auxiliando no processo eleitoral.

E lindas foram as palavras de Emiliano José sobre o derradeiro processo eleitoral: Nunca o nível baixou tanto, e contra uma mulher. E procurando buscar nos recantos obscuros da alma da sociedade brasileira os elementos que suscitassem o ódio, que alimentassem os preconceitos, que suscitassem a raiva contra a mulher, contra todas as mulheres, e especialmente contra aquelas que eventualmente tivessem que recorrer ao aborto.

E a chamaram despreparada, e a chamaram teleguiada, e quiseram-na sem vida política, e a denominaram terrorista, como se terroristas fossem todos os que resistiram à ditadura. E semearam mentiras, e fizeram milhões de telefonemas clandestinos com toda sorte de calúnias contra ela.

E ela ganhou. Ganhou a grande mulher que é Dilma, que soube superar uma doença, que não se abalou com a sordidez que se alevantou contra ela, e se torna assim a nossa primeira presidente mulher. As mulheres do Brasil estão em festa. E os homens também. Há um caldo de revolução cultural na eleição dessa mulher. (em: http://www.cartacapital.com.br/politica/a-forca-da-mulher )

Ademais, é interessante que prestemos muita atenção nas palavras iniciais de Dilma Rousseff, para podermos, num futuro breve, compará-las com suas atitudes, após a tomada de posse. Creio que isso sim, demonstrará sua capacidade ou não para bem governar o Brasil – e não o fato dela ser mulher, dela ter lutado contra a ditadura, dela ter sido escolhida a dedo por Lula, de ela ser do PT, ou qualquer outro fator. Fica aqui o link – mais um – de um texto escrito pela presidente eleita e publicado na revista Carta Capital: http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/brasil-continuidade-e-aceleracao .

Toda a boa sorte possível a Dilma!

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* Mulheres no poder em 2010:

1. Angela Merkel – Chanceler da Alemanha, eleita em 2005;

2. Cristina Fernandez de Kirchner – 2ª presidenta da Argentina – tomou posse em 2007;

3. Dalia Grybauskaite – Presidenta da Lituânia, eleita em julho de 2009;

4. Doris Leuthard – Presidenta do Conselho Federal Suíço – em 2010;

5. Ellen Johnson-Sirleaf – Presidenta da Libéria, eleita em 2005;

6. Gloria Macapagal-Arroyo: 2ª mulher eleita para presidente nas Filipinas. Eleita em 2001 e reeleita em 2004;

7. Jadranka Kosor – Primeira-ministra da Croácia, tomou posse em julho de 2009;

8. Johanna Sigurdardottir – Primeira-ministra da Islândia, além de ser assumidamente homossexual;

9. Julia Gillard – primeira-ministra da Austrália;

10. Kamla Persad-Bissessar: Primeira-ministra da República de Trinidad e Tobago, assumiu em maio de 2010;

11. Laura Chinchilla – presidenta da Costa Rica, se elegeu em maio de 2010;

12. Mary McAleese – Presidenta da Irlanda, eleita em 1997 e reeleita em 2004;

13. Pratibha Patil – Presidenta na Índia, eleita em 2007;

14. Roza Otunbayeva – Presidenta interina do Quirguistão até 2011;

15. Sheikh Hasina Wajed – Primeira-ministra de Bangladesh, em 1996 (até 2001) e em 2008;

16. Tarja Halonen – Presidenta da Finlândia, eleita em março de 2000 e reeleita em 2006.

OBS: Ao meu ver, deveria estar incluída também a 17ª, que, no caso, é a ex-presidente chilena Michele Bachelet, eleita em 2006, que esteve no poder até meados de 2010. Ela assumiu em setembro desse ano a presidência da ONU Mulheres – entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres. Inclusive, em seu discurso de posse no órgão internacional, declarou “é preciso ter mulheres em todos os níveis de representação”.

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Serra x Dilma (Segundo ROUND)

27 out

Não pude deixar de me manifestar (novamente) sobre o segundo turno das eleições presidenciais. Mas o enfoque, agora, é a visão internacional acerca das eleições brasileiras.

Sem questionar a capacidade dos Cientistas Políticos, Economistas e Jornalistas internacionais, não concordo com várias das reportagens que vem sendo veiculadas nos periódicos estrangeiros.

E falo com a autoridade de quem presenciou as mudanças significativas que ocorreram no Brasil. Todavia a questão não é o governo Lula. É uma questão histórica (e que ultrapassa oito anos), político-partidária, de planejamento econômico, de programas de governo, entre outros tantos aspectos.

Basta se ler o editorial do jornal britânico “Financial Times” (http://www.ft.com/cms/s/0/ef08c0fa-e143-11df-90b7-00144feabdc0.html ),  para entender o verdadeiro descaso com a realidade brasileira em contrapartida ao forte jogo de interesses político-econômicos. O mesmo editorial disse, com TODAS AS LETRAS, que “se for apenas para interromper a relação de Lula da  Silva com o poder”, já que é possível que ele retorne à Presidência em 2014-2018, “o Sr. Serra é a melhor opção para o Brasil”; entre outras verdadeiras “pérolas”, o editoral também afirma que os candidatos Dilma Rousseff e José Serra são “bastante parecidos”. Aqui cabe uma pergunta: os senhores leram realmente os programas de governo dos dois candidatos? Acompanharam os debates? Sinceramente, receio que não. Já linkei os programas em outra postagem aqui do blog, mas, ao final desse post, os colocarei novamente. A título ilustrativo-comparativo (inclusive com a candidata Marina Silva), vale a pena ver esse infográfico do UOL: http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/infografico/2010/10/25/que-candidato-tem-propostas-mais-proximas-das-de-marina.jhtm , comparando os programas de governo dos candidatos e seus respectivos discursos ao programa e discurso de Marina.

Concordei bastante com as críticas iniciais feitas, no mesmo editorial, ao decorrer da campanha eleitoral, calcada em ataques pessoais. Porém as afirmações tendenciosas ofuscaram essa primeira análise realista.

Para não mencionar apenas o “Financial Times”, é interessante ver, ainda, as matérias da revista “The Economist”, que iniciou fazendo um balanço positivo dos oito anos de mandato de Lula, citando-o , nas palavras de Barack Obama, como: “the most popular politician on earth”, em http://www.economist.com/node/17147828?story_id=17147828 . Além de falar sobre políticas brasileiras, como “a pobreza tem caído e o crescimento econômico acelerou”, entre diversos pontos interessantes.

Em outros artigos, diz que falta a Dilma Rousseff carisma, além de citar que ela se “escora” na popularidade de Lula, sem analisar mais profundamente sua careira política, afirmando, ainda, que ela carece de autoridade e de pragmatismo, em http://www.economist.com/node/17147658?story_id=17147658 .

Num outro artigo da mesma revista, há a visão positiva da possível vitória de Dilma à Presidência da República, afinal seu projeto é o de continuidade do governo Lula, além de, como cita o artigo, liderar uma coligação que provavelmente terá mais de 3/5 nas duas casas eleitorais, facilitando mudanças as quais ficaram impossibilitadas de ocorrer no governo Lula – por o mesmo não deter uma bancada tão ampla de apoio  (ver: http://www.economist.com/node/17204613?story_id=17204613 ).

Incrivelmente, houve uma perceptível mudança de tendência na “The Economist”, em http://www.economist.com/node/17309001?story_id=17309001 . Afirmando algo crucial: o Brasil se beneficiaria com a mudança do topo do governo, tirando o PT da presidência e elegendo José Serra. Imediatamente, pensei em quantos anos a coligação do PSDB se manteve no poder. A referida matéria vem ainda com uma fotografia dos candidatos tirada, salvo engano, em um dos debates televisionados. Se formos tomar por base os referidos debates, além de muitos aspectos pessoais e acusações trocadas, teremos de ser realistas e ver que o candidato tucano se excedeu nas famosas “promessas de campanha”.

Apesar das contradições e das afirmações tendenciosas, verdades podem ser extraídas de todos os textos, de todos os jornais, revistas e outros periódicos internacionais. Mas não há como renomados profissionais saberem da realidade, pelo menos numa visão mais abrangente, sem lidar com o cidadão comum, que paga impostos, estuda e acompanha há anos a política brasileira e todas as suas faces obscuras. E também é exigir demais de meios de comunicação, que servem – além de noticiar e analisar acontecimentos – para influenciar as pessoas, a falarem a verdade na íntegra, visto os interesses por trás dos detentores desses mesmos meios. Fica o apelo, portanto, aos eleitores, aos estudantes, aos trabalhadores, às mulheres, por senso crítico, sempre! Além da leitura, para uma melhor compreensão da realidade.

No mais, que vença o melhor para o BRASIL!

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Programa de Governo de José Serra:

http://www.tse.gov.br/sadAdmAgencia/noticiaSearch.do?acao=get&id=1313499

Programa de Governo de Dilma Rousseff:

http://www.tse.gov.br/sadAdmAgencia/noticiaSearch.do?acao=get&id=1314450