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8 abr

ENTRETELAS

Categoria: Filme

Laranja Mecânica

Há um certo tempo, eu já tinha pensado em assistir a esse grande clássico do cinema mundial, mas só agora, e sob empréstimo, consegui finalmente bebericá-lo.

Datado de 1971, o britânico “A Clockwork Orange” (nome original), adaptado do romance homônimo de Anthony Burgess, sob a direção do super notável Stanley Kubrick, ainda consegue despertar, facilmente, nos seus 137 minutos, fascínio a qualquer pessoa que o assista. Um filme paradoxalmente super atual, e que nos atrai para os mais diversos questionamentos sobre a moralidade.

Alex, que inclusive narra o enredo, interpretado por Malcolm McDowell (último trabalho: O Artista), é um jovem absolutamente sem escrúpulos, que vive em função de se divertir às custas da tragédia/sofrimento dos outros. Sempre achando que nunca poderia se ferrar, o jovem Alex, juntamente com sua gangue,  se arriscava cada vez mais em amargas/criminosas aventuras. Até que, enfim, é pego pela polícia – devido à traição dos seus droogs – quando acabara de cometer um assassinato.

Sentenciado a 14 anos de prisão, Alex, após dois anos preso, é levado a um outro sistema de prisão onde seria submetido a um método recém-desenvolvido pela Ciência, e financiado pelo governo, que prometera acabar, definitivamente, com a criminalidade do lugar: trata-se do tratamento Ludovico.

Nesse tratamento, Alex era, de tempos em tempos, submetido a um medicamento e, ao ver filmes com cenas de extrema violência sob efeito desse soro, ele sentia fortes dores e enjôos. Com isso, o jovem foi condicionado a, sempre que quiser provocar ações de repúdio, sentir dores fortes e enjôos, de modo que o fizesse desistir da ação violenta ou pensar duas vezes antes de praticá-la. Por tabela, ele não podia mais escutar a 9ª Sinfonia de Beethoven, que tanto adorava, já que esta fizera parte da trilha sonora de um dos filmes que Alex assistira nesse processo de reabilitaação.

O problema é que o tratamento não demonstou reabilitar ninguém, uma vez que não mudou a conduta de Alex através da mudança de seu modo de pensar. Alex continuava, mesmo que em mente, sendo o mesmo criminoso de sempre. Por isso, tentou o suicídio.

Diante do fracasso do ato, Alex é levado ao hospital, onde recebe cuidados para curá-lo, sobretudo, dos efeitos do tratamento Ludovico oferecido pelo governo. A má repercussão do tratamento fez o Ministro do Interior ir até ao jovem no hospital e redimir-se do que fora feito, propondo que, se Alex apoiasse o partido político conservador, ele sairia dalí com a garantia de um bom emprego.

Aqui é quase o finalzinho do longa, mas não é o final propriamente dito que é marcado por uma frase – super pertinente aos quetionamentos que o filme procura insitar – e por uma cena memorável, singular, arrebatadora e sonora.

Essa produção de 2,2 milhões de dólares angariou os prêmios de Melhor Filme e Melhor Direção da Associação dos Críticos de Cinema de Nova Iorque, além de receberr quatro indicações ao Oscar de 72 como Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição.

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SUGGERERE

5 mar

ENTRETELAS

Categoria: Filme

Filadélfia

Título original: Philadelphia;

Direção: Jonathan Demme;

Gênero: Drama;

Duração: 125 min.;

Ano: 1993.

      Filadélfia (título original Philadelphia) é um filme de 1993 dirigido por Jonathan Demme, e conta a estória de Andrew Beckett (Tom Hanks) um jovem advogado considerado brilhante em seu trabalho, mas acaba demitido da grande empresa de advocacia da qual faz parte. Acreditando que o real motivo para a sua demissão foi mascarado pela alegação de que seu trabalho não seria satisfatório, Andrew contrata o advogado Joe Miller (Denzel Washington) para processar seus antigos empregadores e provar que na verdade foi demitido por ter AIDS.

Joe Miller, um tipo de advogado que pega qualquer causa que enseje um pedido de indenização, ao ouvir o caso de Andrew – que resolve procura-lo após ouvir “não” de nove advogados –, sua primeira reação é também recusar. O fato é que o personagem de Denzel Washington sofre de um dos maiores males que afetam o ser humano: o preconceito! Mas, após assistir a uma inequívoca cena de descriminação contra Andrew na biblioteca, em que pese aos seus valores morais, Joe Miller decide por aceitar a causa do jovem advogado.

É importante destacar que o personagem de Tom Hanks é um homossexual, com AIDS e vivendo no início dos anos 90. O próprio Andrew em uma de suas falas perante o júri declara que o fato de ser portador de um vírus fatal como o HVI lhe traria a morte certa, mas carregava a certeza maior de que a “morte social” lhe precederia a morte física. Consciente de que o preconceito poderia guiar a decisão dos jurados, Joe, em suas alegações iniciais, faz um certo apelo aos homens e mulheres do júri: que não está jogo naquela situação o que Andrew faz na sua vida íntima, que se discute naquele júri o descumprimento de uma lei.

E é sobre a luta judicial de Andrew Beckett para limpar seu nome e provar ter sido vítima de preconceito e, ao mesmo tempo, sobre o embate pessoal de Joe Miller para vencer seus próprios medos e preconceitos que se desenrolam todos os fatos de “Filadélfia”. Um filme de quase 20 anos, mas que ainda não deixou de ser atual. Um filme que vai além de sua natural função de entreter, faz mais, ensina, deixa lições preciosíssimas, tal qual a declaração de Andrew ao afirma que seu amor pela lei reside no fato de às vezes ela lhe proporcionar a oportunidade de fazer justiça. É disso que fala Filadélfia: FAZER JUSTIÇA! Um filme que vale a pena ser visto, revisto e visto mais uma vez!

Suggerere

3 mar

ENTRETELAS

Categoria: Filme

A Separação 

Como muitos já sabem, “A Separação” ganhou o Oscar 2012 de melhor filme estrangeiro (iraniano). Com 123 min. de duração, o filme de Asghar Farhadi consegue nos prender sob sua totalidade.

O longa narra – de forma intensa, real e emotiva – o drama vivido por uma família após a dissolução do casamento entre Nader (Peyman Moadi) e Simin (Leila Hatami). O fatídico acontece, pois Simin deseja sair do país enquanto Nader argumenta a favor da impossibilidade dele acatar com tal proposta uma vez que o seu pai sofre de Alzheimer e não pode ficar sozinho, sem amparos. Diante da única solução encontrada, o pedido de divórcio, Simin recorre à justiça para resolver o desgastante impasse. E é nesse momento de litígio que o filme começa.

O fato é que eles se divorciam. Simin vai morar com sua mãe, Nader fica com a filha Termeh (Sarina Farhadi) ao mesmo tempo em que tem que cuidar do seu pai (Ali-Asghar Shalbazi) que sofre de Alzheimer. Diante da dificuldade de enfrentar sozinho essa nova fase de sua vida, Nader acaba aceitando os cuidados da empregada Razieh (Sareh Bayat) que é contratada por Simin para cuidar do sogro caduco.

Razieh pensa, muitas vezes, em abandonar o ofício, já que o considera extremamente desgastante. Mas, como precisa do dinheiro, ela tenta a sua substituição pelo seu próprio marido. Impossibilitado, o jeito é Razieh assumir as responsabilidades com todas as dificuldades inevitáveis.

Acontece que, por descuido, a empregada quase mata o pai de Nader, de modo que este, revoltado e sob certo grau descontrole, a expulsa brutalmente de sua casa, acusando-a, inclusive, de ter roubado dinheiro de lá.

Depois disso, o filme passa a ficar ainda mais interessante. Nader volta à justiça. Dessa vez, para enfrentar um caso muito mais complicado. Acusado de assassinato, por ter matado o filho de Razieh ao empurrá-la para fora de sua casa, Nader alega que não sabia da gravidez da pobre mulher que passa, decididamente, junto com seu marido, a brigar pela causa.

É nesse ínterim que o filme ganha os contornos de um genuíno drama acometido por um singular paradoxo que mistura simplicidade e arrojo ao delinear uma história singular e comum, num país com uma realidade tão peculiar e semelhante a tantas outras. Garanto que muitos irão se surpreender diante dessa emotiva estória de cunho moral e religioso contado sob a ótica de um povo que vive “em um momento de cabo de guerra, intimidação e agressões trocadas entre políticos, mas que é falado hoje através de sua gloriosa cultura, uma cultura rica e antiga que tem sido escondida sob a poeira pesada da política”, disse Farhadi no dia em que recebeu o maior prêmio que poderiam receber pelo reconhecimento de seu filme, neste ano.

SUGGERERE

23 fev

ENTRETELAS

Categoria: Filme

A Jurada (The Juror)

A Jurada é um filme de Brian Gibson produzido em meados da década de 90. “Um suspense psicologicamente hipnotizante”, como o próprio encarte sugere.

Trata-se de uma artista plástica que resolveu concordar em participar de um júri popular, pois achava que aquilo não traria grandes complicações para ela, muito pelo contrário, cuidaria de tirá-la da monotonia, tornando sua vida mais excitante. Para ela, não tinha nada de perigoso na tarefa de jurado. A justiça lhes promete anonimato em troca de um voto que diga CULPADO ou INOCENTE. Simples! Depois, os jurados seguem sua vida normal. Acontece que nem sempre é assim, e “A Jurada” vem mostrar uma outra versão dos fatos.

Como foi dito, Annie Laird (Demi Moore) foi convocada a participar, como jurada, do julgamento de Boffano, criatura mafiosa e principal suspeita da morte de um homem e de uma criança. Todas as evidências se convergiam contra ele. Contudo, acreditando no seu poder de manipular, Boffano se vale do seu comparsa (Alec Baldwin) para ameaçá-la,  impondo à jurada a realização de uma tarefa super complicada que colocaria em jogo a vida do menino Óliver, seu filho. A tarefa consistia no fato de Annie ter que convencer o restante dos jurados a votarem a favor da absolvição de Boffano, quem ela acreditava plenamente ser o culpado do crime. Depois de muito tempo vivido sob tensão, Annie consegue convencer os jurados, sem antes ter deixado de ser bastante retrucada, pois todas as provas só apontavam contra Boffano.

Uma componente do júri chegou a perguntar quem dali tinha filhos, pois só assim entenderiam o medo dela, como avó, de ter que conviver com o tal criminoso caso ele fosse inocentado. E o argumento crucial da artista plástica foi: “Se não há provas que comprovem que Boffano cometeu esse crime, se existe uma dúvida razoável, temos que deixá-lo livre. Mas se torcermos a lei, mesmo um pouquinho, com a melhor das intenções, então ela perde todo o seu poder. E meu filho correrá mais riscos do que antes e os seus netos também”. E, a partir dali, todos foram levados a inocentar o criminoso, que foi absolvido.

Após esse ponto do filme, começou a desenrolar uma história com mais ação e suspense. Annie queria acabar, desta vez, com os mafiosos que a manipularam. Vale à pena assistir até o desfecho dessa história que nos prende do início ao fim.