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Serra x Dilma (Segundo ROUND)

27 out

Não pude deixar de me manifestar (novamente) sobre o segundo turno das eleições presidenciais. Mas o enfoque, agora, é a visão internacional acerca das eleições brasileiras.

Sem questionar a capacidade dos Cientistas Políticos, Economistas e Jornalistas internacionais, não concordo com várias das reportagens que vem sendo veiculadas nos periódicos estrangeiros.

E falo com a autoridade de quem presenciou as mudanças significativas que ocorreram no Brasil. Todavia a questão não é o governo Lula. É uma questão histórica (e que ultrapassa oito anos), político-partidária, de planejamento econômico, de programas de governo, entre outros tantos aspectos.

Basta se ler o editorial do jornal britânico “Financial Times” (http://www.ft.com/cms/s/0/ef08c0fa-e143-11df-90b7-00144feabdc0.html ),  para entender o verdadeiro descaso com a realidade brasileira em contrapartida ao forte jogo de interesses político-econômicos. O mesmo editorial disse, com TODAS AS LETRAS, que “se for apenas para interromper a relação de Lula da  Silva com o poder”, já que é possível que ele retorne à Presidência em 2014-2018, “o Sr. Serra é a melhor opção para o Brasil”; entre outras verdadeiras “pérolas”, o editoral também afirma que os candidatos Dilma Rousseff e José Serra são “bastante parecidos”. Aqui cabe uma pergunta: os senhores leram realmente os programas de governo dos dois candidatos? Acompanharam os debates? Sinceramente, receio que não. Já linkei os programas em outra postagem aqui do blog, mas, ao final desse post, os colocarei novamente. A título ilustrativo-comparativo (inclusive com a candidata Marina Silva), vale a pena ver esse infográfico do UOL: http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/infografico/2010/10/25/que-candidato-tem-propostas-mais-proximas-das-de-marina.jhtm , comparando os programas de governo dos candidatos e seus respectivos discursos ao programa e discurso de Marina.

Concordei bastante com as críticas iniciais feitas, no mesmo editorial, ao decorrer da campanha eleitoral, calcada em ataques pessoais. Porém as afirmações tendenciosas ofuscaram essa primeira análise realista.

Para não mencionar apenas o “Financial Times”, é interessante ver, ainda, as matérias da revista “The Economist”, que iniciou fazendo um balanço positivo dos oito anos de mandato de Lula, citando-o , nas palavras de Barack Obama, como: “the most popular politician on earth”, em http://www.economist.com/node/17147828?story_id=17147828 . Além de falar sobre políticas brasileiras, como “a pobreza tem caído e o crescimento econômico acelerou”, entre diversos pontos interessantes.

Em outros artigos, diz que falta a Dilma Rousseff carisma, além de citar que ela se “escora” na popularidade de Lula, sem analisar mais profundamente sua careira política, afirmando, ainda, que ela carece de autoridade e de pragmatismo, em http://www.economist.com/node/17147658?story_id=17147658 .

Num outro artigo da mesma revista, há a visão positiva da possível vitória de Dilma à Presidência da República, afinal seu projeto é o de continuidade do governo Lula, além de, como cita o artigo, liderar uma coligação que provavelmente terá mais de 3/5 nas duas casas eleitorais, facilitando mudanças as quais ficaram impossibilitadas de ocorrer no governo Lula – por o mesmo não deter uma bancada tão ampla de apoio  (ver: http://www.economist.com/node/17204613?story_id=17204613 ).

Incrivelmente, houve uma perceptível mudança de tendência na “The Economist”, em http://www.economist.com/node/17309001?story_id=17309001 . Afirmando algo crucial: o Brasil se beneficiaria com a mudança do topo do governo, tirando o PT da presidência e elegendo José Serra. Imediatamente, pensei em quantos anos a coligação do PSDB se manteve no poder. A referida matéria vem ainda com uma fotografia dos candidatos tirada, salvo engano, em um dos debates televisionados. Se formos tomar por base os referidos debates, além de muitos aspectos pessoais e acusações trocadas, teremos de ser realistas e ver que o candidato tucano se excedeu nas famosas “promessas de campanha”.

Apesar das contradições e das afirmações tendenciosas, verdades podem ser extraídas de todos os textos, de todos os jornais, revistas e outros periódicos internacionais. Mas não há como renomados profissionais saberem da realidade, pelo menos numa visão mais abrangente, sem lidar com o cidadão comum, que paga impostos, estuda e acompanha há anos a política brasileira e todas as suas faces obscuras. E também é exigir demais de meios de comunicação, que servem – além de noticiar e analisar acontecimentos – para influenciar as pessoas, a falarem a verdade na íntegra, visto os interesses por trás dos detentores desses mesmos meios. Fica o apelo, portanto, aos eleitores, aos estudantes, aos trabalhadores, às mulheres, por senso crítico, sempre! Além da leitura, para uma melhor compreensão da realidade.

No mais, que vença o melhor para o BRASIL!

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Programa de Governo de José Serra:

http://www.tse.gov.br/sadAdmAgencia/noticiaSearch.do?acao=get&id=1313499

Programa de Governo de Dilma Rousseff:

http://www.tse.gov.br/sadAdmAgencia/noticiaSearch.do?acao=get&id=1314450

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